
Crescimento da Cabotagem Brasileira
A cabotagem, que se refere ao transporte de cargas entre portos dentro do próprio território nacional, vem apresentando um crescimento expressivo nos últimos anos. Em 2025, houve um aumento de 15% na movimentação, alcançando um total de 875,8 mil TEUs (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés) em comparação ao ano anterior. Esse crescimento demonstra uma troca de modal por várias empresas, que optam por alternativas mais eficientes, com o intuito de reduzir custos logísticos e melhorar a eficiência operacional.
Desafios da Integração Modal
Apesar do avanço notável, a cabotagem ainda representa apenas 14% da matriz logística brasileira. Um dos principais desafios que este modal enfrenta é a integração com outros meios de transporte, como rodovias e ferrovias. A falta de infraestrutura adequada, como acessos terrestres de qualidade e conectividade, complica a operação e limita ainda mais o seu potencial de crescimento.
Impacto Ambiental da Cabotagem
Um ponto positivo do aumento na cabotagem é a diminuição das emissões de CO2. O modal marítimo tem o potencial de retirar milhares de caminhões das rodovias, reduzindo, assim, a pegada de carbono. De acordo com especialistas, o uso de navios para transporte de cargas pode resultar em uma redução de até 70% nas emissões em algumas rotas, o que é uma significativa contribuição para a sustentabilidade.

O Papel da Cabotagem na Logística Nacional
A cabotagem se destaca em rotas longas que transportam grandes volumes e fluxos regulares. É especialmente vantajosa em distâncias superiores a 1.500 quilômetros. Para muitas empresas, este modal não só representa uma solução viável, mas também estratégica, possibilitando a movimentação contínua e segura de cargas pesadas e volumosas.
Comparação entre Rodoviário e Marítimo
Embora a cabotagem tenha suas vantagens, como menor custo por tonelada em longas distâncias, o transporte rodoviário ainda se mostra mais flexível e eficiente para entregas rápidas e em menor volume. Caminhões conseguem fazer entregas de porta a porta, realizando transportes em regiões que estão afastadas dos portos.
Estatísticas de Movimentação de Contêineres
De acordo com a Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), a movimentação de cargas domésticas por cabotagem cresceu 6,1% no primeiro semestre deste ano, totalizando 434,9 mil TEUs. Esse crescimento reforça a adesão das empresas ao uso do modal, atraídas pelos custos logísticos reduzidos e segurança nas operações, que praticamente elimina os riscos de roubo de carga.
Casos de Sucesso na Cabotagem
Um exemplo notável é a Mondelēz, que, desde que adotou a cabotagem em 2023, triplicou o número de embarques anuais, passando de cerca de 900 para mais de 2.600 embarques em 2026. A empresa utiliza o transporte marítimo para enviar tanto matérias-primas quanto produtos acabados, como biscoitos e chocolates, mostrando assim a eficácia e eficiência desse modal na sua cadeia logística.
A Importância da Inovação no Transporte
Inovações tecnológicas são fundamentais para o avanço da cabotagem. O governo federal criou a BR do Mar, um programa que visa ampliar a operação de cargas marítimas. A iniciativa permitiu o registro de novas empresas de navegação e a incorporação de embarcações que são específicas para o transporte de contêineres, aumentando, assim, a capacidade operacional do setor.
Cenários Futuros para o Setor
A cabotagem tem um grande potencial de crescimento, com estimativas que apontam para uma participação na matriz logística de até 15,8% até 2035. A meta da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac) é alcançar 20% até 2030. O sucesso dependerá da superação dos desafios existentes, principalmente em relação à integração e infraestrutura.
Investimentos e Financiamentos Necessários
Para que o crescimento da cabotagem se concretize, será imprescindível investimento em infraestrutura portuária e acessos. O financiamento adequado e a criação de políticas públicas que apoiem a operação desse modal serão necessários para garantir a sustentabilidade do setor e permitir que o Brasil alcance seu potencial logístico.